sexta-feira, 1 de abril de 2011

Solidão descontínua

De sonhos perturbados e noites mal dormidas
Do nosso pequeno acaso,
O que eu poderia levar...
Levar de você, do que restou?
E essas paredes tão brancas e imaculadas, as gotículas de sangue formando pontos no infinito aqui e ali...
O rastro do seu corpo dilacerado nos cantos, o implacável azul dos seus olhos opacos;
A morte súbita de meus sentimentos, o por que de um porque mal explicado.
Toda razão e lógica que sempre achou já pode vê-las agora com sua cegueira continua?
Consegue produzir palavras tão tolas com a sua recente boca costurada?
Eu me troquei por você, pelo seu vago coração dilacerado
Pelo nada da inocência e o questionamento de palavras vulgares.
Você sempre agiu assim,
Você sempre fingiu ser assim,
Você nunca na verdade foi assim.
Foi-se junto com tudo que eu já esperava, esperanças perdidas e problemas não resolvidos.
Se envolveu talvez com outros, pessoas mascaradas;
Pessoas e máscaras. As máscaras das pessoas,
E a mascara em você, aquela que nunca quis tirar.
Você se foi, juntando-se á escuridão fria de sua mente, na ignorância dos seus pensamentos... 
O que levar de você, de você agora?
Aquilo que não é mais, o passado e tudo que esperou?
Levar a frieza,
O não ver,
O não sentir;
As mentiras estampadas socialmente?
O que é você? 
Um casco vazio jogado em algum canto,
Uma marionete de fios cortados?
Eu olhei para o seu rosto seco e vi marcas mais profundas que as minhas,
Seus olhos cegos e sua boca murcha jaziam inexpressivos...
E já não era mais você.
Seus dedos frios seguravam os meus de um jeito simples,
De um jeito falso.
Mas... o que levar de nós, do nada que fomos?
Nada para levar nem olhar, nada para sentir ou rejeitar.
Nada de você, nada que quem não é mais você,
Nada de mim ou do que tentei ser
Apenas a tristeza do nosso pequeno acaso.

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